CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA “SACRAM UNCTIONEM INFIRMORUM” - Liturgia Católica Apostólica Romana

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CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA “SACRAM UNCTIONEM INFIRMORUM”

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CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA

“SACRAM UNCTIONEM INFIRMORUM”



PAULO BISPO
Servo dos servos de Deus para perpétua memória

 

A Igreja Católica professa e ensina  que  a  santa  Unção dos doentes é um dos sete sacramentos do Novo Testamento, instituído por Cristo Nosso Senhor, “insinuado em S. Marcos (Mc 6, 13), recomendado aos fiéis e promulgado por S. Tiago, apóstolo e irmão do Senhor, com estas palavras: Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o confortará, e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tg 5, 14-15)”.1



Há testemunhos da Unção dos doentes já desde os tempos antigos, na Tradição da Igreja, sobretudo na tradição litúrgica, quer no Oriente quer no Ocidente. Recorde-se em especial, a Carta do nosso Predecessor Inocêncio I a Decêncio, bispo de Gubbio,bem como a venerável oração usada na bênção óleo dos doentes “Enviai, Senhor, o vosso Espírito Santo Paráclito”, introduzida na Prece Eucarística,e conservada até ao presente no Pontifical Romano.4



No decorrer dos tempos foram-se determinando mais, se bem que de modos diversos, as partes do corpo do doente que deviam ser ungidas com o santo Óleo, acrescentando-se várias fórmulas para acompanhar com uma oração as diversas unções, fórmulas que se encontram nos livros rituais das várias Igrejas. Na Igreja Romana, vem já da Idade Média o costume de ungir  os órgãos dos sentidos com a fórmula: “Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor te perdoe todos os pecados cometidos...”, adaptada a cada um dos sentidos.5



Além disso, a doutrina da Santa Unção foi exposta nos documentos dos concílios ecumênicos: do Florentino e, principalmente, do Tridentino e do Vaticano II.



Depois de o Concílio Florentino ter descrito os elementos essenciais da Unção dos doentes,Concílio Tridentino declarou a sua instituição divina e esclareceu o que, na epístola de S. Tiago, se diz acerca da Santa Unção, sobretudo quanto à essência e efeitos do sacramento: “É uma graça do Espírito Santo, cuja Unção apaga os pecados ainda não expiados bem como os vestígios do pecado, alivia e conforta o ânimo do doente, despertando nele uma grande confiança na misericórdia divina. Assim confortado, doente suporta melhor os incômodos e sofrimentos da doença e resiste mais facilmente às tentações com que o demônio o assalta (Gn 3, 15) e até, se isso for conveniente para a salvação da sua alma, obtém por vezes a saúde do corpo”.Declarou  ainda  o  santo  Concílio  que, nas palavras do Apóstolo, se afirma com clareza “dever-se esta Unção aplicar aos doentes, principalmente àqueles que  se encontram em perigo de vida e, por esta razão, se chama Sacramento dos moribundos”.Declarou, finalmente, ser o presbítero o ministro próprio do Sacramento.9



O Concílio Vaticano II acrescenta: “A Extrema Unção”, a qual também, e com mais propriedade, se pode chamar “Unção dos Doentes”, não é sacramento apenas dos que se encontram  no último transe da vida. Por isso, considera-se tempo oportuno para o receber quando o fiel começa, por doença ou velhice, a estar em perigo de vida”.10



Que o uso deste Sacramento faz parte da solicitude de toda a Igreja, mostram-no as seguintes palavras: “Com a santa Unção e a oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado, para que Ele os alivie e os salve (cf. Tg 5, 14-16). Mais ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à paixão e morte de Cristo (cf. Rom 8, 17; Col 1, 24; 2 Tim 2, 11-12; 1 Pe 4, 13), contribuam para o bem do Povo de Deus”.11 



Tudo isto se deve ter em consideração ao ser revisto o rito da Santa Unção, de tal modo que aquilo que é sujeito de mudança possa corresponder melhor ao condicionalismo dos nossos tempos.12



Julgamos dever modificar a fórmula sacramental de sorte que, usando as palavras de S. Tiago, se exprimam mais clara- mente os efeitos do sacramento.



Uma vez que o óleo de oliveira, até agora exigido para a validade do sacramento, não existe ou é difícil de obter em certas regiões, decretamos, a pedido de muitos Bispos, que, segundo as circunstâncias, se pudesse, para o futuro, empregar outro óleo, igualmente de origem vegetal, por ser o mais semelhante ao da oliveira.



Quanto ao número das unções e aos membros que hão-se ser ungidos, pareceu oportuno proceder a uma simplificação do rito.



Por conseguinte, dado que a presente revisão atinge, em alguns pontos, o próprio rito sacramental, determinamos, com a nossa Autoridade Apostólica, que para o futuro se observe no Rito Latino o seguinte:



Sacramento da Unção dos Doentes é administrado aos que se encontram enfermos em perigo de vida, ungindo-os na fronte nas  mãos  com  óleo  de  oliveira  ou, segundo as circunstâncias, com outro óleo de origem vegetal, devidamente benzido,  proferindo  uma  só  vez as palavras: «por esta santa unção pelo sua infinita misericórdia, Senhor venha em teu auxílio com graça  do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele  te salve e, na sua misericórdia, alivie os teus  sofrimentos».



Em caso de necessidade, contudo, é suficiente uma única unção na fronte ou, segundo a situação particular do doente, noutra parte do corpo mais indicada, usando integralmente a fórmula.



O Sacramento pode administrar-se de novo se o doente, depois de ter recebido a Unção, convalescer e recair de novo,   ou se, no decurso da mesma doença, o seu estado se tornar mais grave.



Estabelecidos e declarados estes elementos sobre o rito essencial do sacramento da Unção dos doentes, aprovamos também, com a nossa Autoridade Apostólica, o ritual da Unção e Pastoral dos Doentes, tal como foi revisto pela Sagrada Congregação para o Culto Divino. Ao mesmo tempo, na medida em que for necessário, modificamos ou anulamos as prescrições do Código de Direito Canónico e outras leis até agora em vigor; todas aquelas prescrições e leis, que não forem anuladas nem alteradas por este Ritual, conservam o seu valor. A edição latina do Ritual, que já contém a nova, entrará em vigor logo após a sua publicação. As edições em língua vernácula, preparadas pelas Conferências Episcopais e confirmadas pela Sé Apostólica, entrarão em vigor nas datas determinadas pelas mesmas Conferências. O antigo Ritual poderá ser usado até ao dia 31 de Dezembro de 1973. A partir, porém, do dia 1 de Janeiro de 1974, é obrigatório o uso do presente Ritual por aqueles a quem compete.



Queremos que estas determinações e prescrições tenham força de lei para o Rito Latino, não obstante – na medida em   que for necessário – as Constituições e Ordenações Apostólicas emanadas pelos nossos Predecessores, assim como as restantes prescrições, mesmo dignas de especial menção.



Dada em Roma, junto de S. Pedro, no dia 30 de  Novembro

de 1972, décimo ano do nosso Pontificado.



PAULO VI, PAPA





NOTAS


Cf. Conc. Trid., S. XIV, De extrema unctione, cap. 1 (cf. ibid. can. 1):: CT, VII, 1, 355-356; Denz.-Schon. 1695, 1716.



Ep. Si Instituta Ecclesiastica, cap. 8: PL., 20, 559-561; Denz.-Schon. 216.

Liber Sacramentorum Romanae Aeclesiae Ordinis Anni Circulied. L. C. MOHLBERG (Rerum Ecclesiasticarum Documenta, Fontes,  IV),  Roma  1960,  p.  61; Le Sacramentaire Grégorien, ed.  J.  DESHUSSES  Spicilegium  Friburgense,  16),  Fribourg  1971,  p.  172;  cf.  La  Tradition Apostolique  de  Saint  Hippolyte, ed.

B. BOTTE (Liturgiewissenschaftliche  Quellen  und  Forschungen,  39),  Munster  in W. 1963, pp. 18-19; Le Grand Euchologe du Monastère Blanc, ed. E. LANNE (Patrologia Orientalis, XXVIII, 2), Paris 1958, pp. 392-395.



Cf. Pontificale Romanum: Ordo benedicendi Oleum Catechumenorum et Infirmorum et conficiendi Chrisma, Città del Vaticano 1971, pp. 11-12.



Cf. M. ANDRIEU, Le Pontifical Romain au Moyen-Age, t. 1, Le Pontifical Romain au XIIe siècle (Studi e Testi, 86), Città del Vaticano 1938, pp. 267-268; t.2, Le Ponti- fical de la Curie Romaine au XIIIe siècle (Studi e Testi, 87), Città del Vaticano 1940, pp. 491-492.



Decr.pro Armeniis, G. HOFMANN, Conc. Florent.,  I-II,  p.  130;  Denz.-Schon. 1324 s.



Conc. Trid., S. XIV, De extrema unctione, cap. 2: CT, VII, 1, 356; Denz.-Schon. 1696.



Ibid., cap. 3: CT, ibid.; Denz.-Schon. 1698.



Ibid., cap. 3, can. 4: CT, ibid.; Denz.-Schon. 1697, 1719.



10 Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 73: AAS 56 (1964) 118-119.



11 Ibid., Const. Lumen gentium, n. 11; AAS 57 (1965) 15.



12 Cf. Conc. Vat. II, Const. Sacrosanctum Concilium, n. 1: AAS 56 (1964) 97.

 
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