Filho do Homem - Liturgia Católica Apostólica Romana

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Filho do Homem

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FILHO DO HOMEM


Esta expressão vem primordialmente de Daniel. Em oposição aos impérios perseguidores simbolizados por monstros horríveis, o povo de Israel é representado por um "filho do homem” e depois pelos ''Santos do Altíssimo". Este filho do homem é arrebatado ao céu e os "Santos" que suportaram grandes sofrimentos triunfam e recebem poder sobre o mundo (Dn 7,13-14).

O título daniélico foi retomado e transformado pelo autor de Henoc. Esta obra apocalíptica apresenta o "Filho do homem" como um personagem celeste cujo mistério será desvelado no fim dos tempos. O autor identifica o herói de Daniel com o Messias davídico e com o Servo isaiano.

Finalmente o título aparece nos evangelhos: 70 vezes nos Sinóticos e 12 vezes em João. Jesus é o único a atribuir-se este título que pode ter três significados:
  • -Equivale a um pronome pessoal: "eu" (comparar Mt 5,11 e Lc 6,22), ou designa "o homem" de modo geral: "O Filho do homem tem o poder... este poder foi dado aos homens (Mt 9,6-8).
  • -O título é associado ao tema da morte de Jesus e à sua ressurreição, especialmente nos anúncios da Paixão (Me 8,31; 9,31; 10,32).
  • -O título tem relação com o anúncio do retorno glorioso de Jesus (Me 13,26).

Será que Jesus se atribui a si mesmo este título daniélico corrigido por Henoc? Podese admiti-lo, e com mais razão ainda porque este título, exclusivamente expresso por ele, parece ser preferido a outros, como Messias, por exemplo (Me 8,29-31). Mas as coisas não são tão simples assim.

Entretanto, admite-se que Jesus tenha convidado seus discípulos, preocupados com as dificuldades criadas por sua pregação, a lembrar-se do penoso destino que tiveram que suportar os "Santos do Altíssimo" em torno do Filho do homem. Esta imagem convém melhor à situação de Jesus e de seus discípulos do que a imagem do Messias davídico.

Mas também se admite que Jesus, que se atribui um lugar à parte no meio dos "santos" perseguidos, tenha ligado seu próprio destino ao destino do Reino anunciado por ele. Esse reino teria um dia um desfecho glorioso e triunfante, conforme ele afirmava.

Seria a partir dessas afirmações que os discípulos de Jesus, meditando, mais tarde, sobre os textos daniélicos, teriam compreendido melhor todas as semelhanças a estabelecer entre Jesus e o Filho do homem, vindo do céu, sujeito aos sofrimentos dos homens e destinado a triunfar, um dia, e a julgar o mundo.

Fonte: Dicionário Bíblico Universal – L. Monloubou
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