II. AS BÊNÇÃOS NA VIDA DA IGREJA - Liturgia Católica Apostólica Romana

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II. AS BÊNÇÃOS NA VIDA DA IGREJA

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II.   AS BÊNÇÃOS NA VIDA DA IGREJA

 
 
8. Fiel à recomendação do Salvador, a Igreja participa do cálice de bênção14, dando graças a Deus pelo seu dom inefável, adquirido pela primeira vez no Mistério Pascal e em seguida comunicado a nós na Eucaristia. Efectivamente, a Igreja recebe no mistério eucarístico a graça e a virtude pelas quais se torna ela mesma uma bênção no mundo: como sacramento universal de salvação15, exerce sempre entre os homens e em favor dos homens a obra da santificação e simultaneamente, unida a Cristo sua cabeça, glorifica o Pai no Espírito Santo.

9. A Igreja, pelo poder do Espírito Santo, exprime de diversos modos este seu ministério e por isso instituiu diversas formas de bênção; com elas convida os homens a louvar a Deus, anima-os a pedir a sua protecção, exorta-os a torna- rem-se dignos da sua misericórdia pela santidade de vida, utiliza fórmulas de oração para implorar os seus benefícios, a fim de alcançar bom êxito naquilo que suplica. A isto se destinam as bênçãos instituídas pela Igreja, sinais sensíveis que «significam e realizam, cada um a seu modo, a santificação dos homens em Cristo»16 e a glorificação de Deus, que é o fim para o qual se orientam todas as outras acções da Igreja17.

10. As bênçãos, como sinais que se fundamentam na palavra de Deus e se celebram à luz da fé, pretendem ilustrar e devem manifestar a vida nova em Cristo, que tem a sua origem e crescimento nos sacramentos da nova aliança instituídos pelo Senhor. Além disso, as bênçãos, que foram instituídas imitando de certo modo os sacramentos, significam sempre efeitos principalmente espiri- tuais, que se alcançam graças à súplica da Igreja18.

11. Com esta convicção, a Igreja manifesta sempre a sua solicitude para que a celebração da bênção se oriente verdadeiramente para o louvor e glorificação de Deus e se ordene ao proveito espiritual do seu povo. Para que isto apareça com mais clareza, as fórmulas de bênção, segundo a antiga tradição, têm como objectivo principal glorificar a Deus pelos seus dons, implorar os seus benefícios e afastar do mundo o poder do Maligno.

12. Glorificando a Deus em todas as coisas e procurando principalmente a manifestação da glória de Deus aos homens tanto os já renascidos como os que vão renascer pela graça a Igreja, celebrando as bênçãos, louva o Senhor por eles e com eles nas diversas circunstâncias da vida e invoca para eles a sua graça. Por vezes a Igreja abençoa também as coisas relacionadas com a actividade humana ou com a vida litúrgica e também com a piedade e o culto, mas tendo sempre em conta os homens que utilizam essas coisas e actuam nesses lugares. Na verdade, o homem, em cujo favor Deus quis todas as coisas boas, é o receptáculo da sua sabedoria, e por isso, com a celebração da bênção, o homem pretende manifestar que utiliza de tal modo as coisas criadas que, com o seu uso, busca a Deus, ama a Deus e serve fielmente o único Deus.

13. Os cristãos, guiados pela fé, fortalecidos pela esperança e movidos pela caridade, não são capazes de reconhecer sabiamente os vestígios da bondade divina em todas as coisas criadas, mas também buscam implicitamente o reino de Cristo nas obras da actividade humana e, além disso, consideram todos os acontecimentos do mundo como sinais da providência paterna com que Deus dirige e orienta todas as coisas. Por isso, sempre e em toda a parte se nos apresenta ocasião para louvar, invocar e dar graças a Deus por Cristo no Espírito Santo, contanto que se trate de coisas, lugares e circunstâncias que não estejam em contradição com as normas e o espírito do Evangelho. Portanto, cada celebração de bênção deve submeter-se sempre ao critério pastoral, sobretudo se pode provocar estranheza entre os fiéis ou outras pessoas.

14. Este modo pastoral de considerar as bênçãos está em sintonia com as palavras do Concílio Ecuménico Vaticano II: «A liturgia dos sacramentos e dos sacramentais faz com que, para os fiéis que os celebram nas devidas disposições, quase todos os actos da vida sejam santificados pela graça divina que emana do Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual todos os sacramentos e sacramentais recebem o seu poder, e faz também com que o uso honesto de quase todas as coisas materiais possa ordenar-se à santificação do homem e ao louvor de Deus»19. Assim, com as celebrações das bênçãos, os homens dispõem-se para receber o fruto superior dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.

15. «Para conseguir esta plena eficácia, é necessário que os fiéis participem na sagrada liturgia com recta disposição de espírito»20. Por isso, aqueles que pedem a bênção de Deus por meio da Igreja devem fortalecer a sua disposição de espírito naquela para a qual nada é impossível21; apoiem-se na esperança, que não ilude22; e sobretudo sejam vivificados na caridade, que impele a observar os mandamentos de Deus23. Assim, os homens que buscam o beneplácito divino24 compreenderão plenamente e alcançarão de facto a bênção do Senhor.
 

                          
14 Cf. 1 Cor 10, 16.
15 Cf. Conc Vat. II, Const. sobre a Igreja, Lumen gentium, n. 48.
16 Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 7.
17 Ibidem, nn. 7 e 10.
18 Cf. Ibidem, n. 60.
19 Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 61.
20  Ibidem, n. 11.
21  Cf. Mc 9, 23.
22  Cf. Rom 5, 5.
23  Cf. Jo 14, 21.
24 Cf. Rom 12, 2; Ef 5, 17; Mt 12, 50; Mc 3, 35.
 
 

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