O uso de correntes e cadeados como sinal de Consagração - Liturgia Católica Apostólica Romana

Ir para o conteúdo

Menu principal:

O uso de correntes e cadeados como sinal de Consagração

COLETÂNEA > ARTIGOS
PUBLICIDADE

O uso de correntes e cadeados como sinal de Consagração


Para que você que “está chegando agora”, este artigo é o segundo de uma série intitulada “Doutrina e Costumes”. O primeiro artigo versou sobre o “uso do véu”. Neste, falaremos a respeito do uso de correntes e cadeados como sinal de consagração a Jesus Cristo por intermédio da Bem-Aventurada e Sempre Virgem Maria de acordo com o tratado de São Luís Maria Grignion de Montfort.

Um pequeno resumo da introdução da série se faz necessário:

A Doutrina gera bons costumes, mas bons costumes não geram doutrina!
  • A palavra “costumes” está ligada a usos, a uma prática habitual particular, e se baseiam na cultura vigente.
  • A Doutrina, por sua vez, é um conjunto de verdades acolhidas pelo Magistério da Igreja como reveladas. O conjunto destas verdades constitui o depósito da nossa fé e possuem caráter perene, independente dos elementos socioculturais.

A Igreja, ao longo dos Séculos, faz progresso em sua capacidade de compreender e enunciar as verdades reveladas; contudo, o Depositum Fidei já está, por assim dizer, concluído. Ao longo dos Séculos, de acordo com tempos e lugares, a compreensão, a forma de enunciar e a forma de celebrar os mistérios revelados foram acompanhando as peculiaridades próprias da contingência humana. É a Igreja quem, no meio da contingência humana, apresenta-nos a perene verdade, com toda a sua força, na “linguagem” hodierna. Para não andar à deriva no seguimento de Cristo, no livre exame onde cada um é juiz em própria causa, precisamos estar edificados sobre a rocha de Pedro.

“Eu sou da Imaculada”

A belíssima afirmação de São Maximiliano Maria Kolbe pode ser repetida por cada cristão que vive o seu batismo: Todo aquele que nasceu de novo em Jesus Cristo foi introduzido no mistério do “Cristo Todo”. Assim como, na Eucaristia, temos não somente a “presentificação” da paixão, morte e ressurreição de Jesus, mas de todo o mistério de Jesus Cristo – de sua encarnação à sua ascensão gloriosa aos céus, onde Ele reina pelos séculos dos séculos – de modo semelhante o Batismo nos insere em todo o mistério da vida de Cristo.

São Justino Mártir e Santo Irineu de Lião – Padres do Século II – afirmaram que Maria é a Nova Eva, com todo o embasamento bíblico do qual esta afirmação goza. Assim como Eva é mãe de todos os homens criados, Maria Santíssima é mãe de todos os homens recriados mediante a graça! Podemos afirmar, sem medo, que o Batismo nos inseriu – com Jesus – no seio virginal da Nova Eva, de onde nasce o novo homem. Pode-se afirmar, sem dúvidas, que Pentecostes é o dia da manifestação pública da Igreja; seu nascimento, contudo, deu-se no dia em que a Filha de Sião disse faça-se em mim segundo a Tua palavra: Ali era gerado Jesus Cristo… Ali nascia o Sacramento da nossa Salvação… Ali nascia o primogênito de muitos irmãos… Ali nascia a Igreja.

Desta forma, todos os que foram legitimamente batizados, são da Imaculada. Até mesmo os cristãos oriundos da tradição protestante? Sim. Ora, porque um filho, irritado com sua mãe, dize-lhe: “Você não é mais minha mãe! ” passa, automaticamente, a não ser mais filho? De modo algum, pois o ato de sua filiação é extrínseco ao próprio filho. A Filiação Divina é obra do Novo Adão e da Nova Eva. Portanto, permitam-me afirmar isto: Dizer a um Cristão legitimamente batizado que ele é “órfão” seria, segundo a doutrina, errado! É sempre bom seguir o conselho do Doutor Angélico – Santo Tomás de Aquino – e, antes de afirmar algo, distinguir: Alguém que escarneça da Virgem Santíssima e a repudie não pode ser animado por outra coisa senão pelo espírito da antiga serpente; ora, se é animado pelo espírito do mal, caminha em direção a sua própria condenação! Este é o caso de todos os cristãos oriundos da tradição protestante? Não em absoluto! A tradição luterana e anglicana, por exemplo, não dá a mínima fundamentação para que alguém repudie ou escarneça da Mãe de Deus. Até mesmo a tradição calvinista, de onde se originam os movimentos mais anticatólicos em meio ao protestantismo, em todo o seu reducionismo teológico em relação a figura e o papel da Virgem Maria na história da Salvação, não permitiriam escárnios e repúdios. O que nós vemos – da parte de falsos cristãos – de atitudes de escárnio, de zombaria e de repúdio, não pode ser menos que ação demoníaca. Rezamos para que, em breve, muitos cristãos protestantes descubram a belíssima Mariologia da Igreja, tão centrada em Jesus Cristo, e passem a não somente respeitá-la e tê-la como um exemplo, mas que possam relacionar-se filialmente com ela, como o Senhor Jesus se relacionou.

E eu acredito firmemente que a Rainha dos Mártires – como rezamos na ladainha de Nossa Senhora – sofre, conforta e vem em auxílio das centenas de irmãos nossos que estão sendo massacrados no oriente médio – por exemplo – mesmo que eles sejam de tradição protestante… Porque Ela é Mãe!

Todo aquele que recebeu o Espírito de Cristo, é filho de Maria Santíssima. Viver o batismo radicalmente é o melhor modo de ser todo de Maria.
De fato, eu tive a alegria de ver meus filhos serem consagrados à Maria Santíssima no próprio rito batismal. Eles têm os padrinhos de batismo e os padrinhos de consagração mariana.


Os diversos atos de Consagração por intermédio da Virgem Maria

Quando religioso, minha ex-congregação realizava anualmente um rito de consagração mariana que era próprio dos princípios e normas aprovados pela Igreja. Nós, que havíamos professado os Conselhos Evangélicos, consagrávamo-nos pelas mãos da Virgem Maria todo mês de maio. Muitos, contudo, já ousaram dizer-me que esta consagração não é “a consagração”, porque… se você não é consagrado segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort… você ainda não é todo de Maria. Quer dizer quem um religioso com votos se consagra à Virgem Maria segundo os princípios e normas de sua Congregação e ele ainda não pode dizer Totus Tuus Mariae et omnia mea tua sunt? “Fale-me mais sobre isto…”.

Jesus nos ensinou que é pelos frutos que nós conhecemos a árvore. As diversas consagrações marianas existentes – mesmo que não sejam segundo o tratado – são valiosíssimas, quando feitas com inteireza de coração e com firme decisão de imitar a Bem-Aventurada e Sempre Virgem Maria no seguimento de Jesus Cristo. A belíssima imposição do Santo Escapulário, por exemplo, com tudo aquilo que deve anteceder e seguir, é uma forma simplesmente maravilhosa de consagração mariana. O valor destas consagrações deve ser medido pela transformação da vida do consagrado, que se assemelha mais e mais à Virgem Maria mediante a imitação de suas virtudes.


A Consagração a Jesus Cristo por intermédio da Virgem Maria segundo o Tratado de São Luís Maria Grignion de Montfort

Melhor do que advogar em favor deste maravilhoso caminho de santificação, que é a consagração segundo o Tratado, é olhar homens como São João Paulo II, São João Maria Vianney dentre tantos outros santos e santas que a viveram e fizeram dela seu caminho de santidade.

É bem verdade, como dissemos acima, que um consagrado à Virgem Maria por qualquer outro método não é menos de Maria do que aqueles que se consagraram pelo método. Por outro lado, a preparação oferecida pelo tratado, sua metodologia de renovação e a profunda espiritualidade oferecida por São Luís Maria realmente oferece ao Cristão uma escola de santidade, uma vez que envolve “corpo, alma, bens exteriores, bens interiores, valor das obras boas passadas, presentes e futuras. ” Em outras formas de consagração esta entrega também pode acontecer. A vantagem do Tratado é o fato de tornar todas estas dimensões explícitas e a leitura do livro do Tratado, bem como os trinta dias de preparação que ele propõe, tem como objetivo preparar a alma para este ato de Consagração Total.


O uso de correntes e cadeados

São Luis Maria Grignion de Montfort ensina:

É muito louvável, muito glorioso e útil para aqueles e aquelas que assim se fazem escravos de Jesus em Maria, que usem umas cadeiazinhas de ferro. Estas ser-lhes-ão um sinal da sua Escravidão de Amor, e serão bentas com uma bênção própria. Estes sinais exteriores não são, na verdade, tão essenciais, e uma pessoa pode passar bem sem eles, embora se tenha abraçado a esta Devoção. Mas os escravos de amor sacudiram as cadeias vergonhosas da escravidão do demônio, a que o pecado original e talvez os pecados atuais os tinham reduzido. Por isso não posso deixar de louvar aqueles e aquelas que se sujeitaram voluntariamente à gloriosa escravidão de Jesus Cristo, e se gloriam, com São Paulo, de estar em cadeias por amor de Jesus Cristo (Ef 3, 1). Estas cadeias são mil vezes mais preciosas, embora de ferro e sem brilho algum, que todos os colares de ouro dos imperadores. (TVD 236).

São Luís seguirá, até o número 242 do Tratado, oferecendo todos os motivos pelos quais ele recomenda o uso da pequena cadeia de ferro como sinal de nossa voluntária escravidão a Jesus Cristo. Um sinal de submissão total, de escravidão voluntária ao Senhor.

Portanto, o uso da pequena cadeia de ferro é um costume muito bem-vindo. Ninguém pode ser coagido ou ridicularizado por levar consigo tão belo sinal que, constantemente, recorda-lhe como somos prisioneiros, mas já não do pecado e do maligno… Prisioneiros no Senhor, que pode dispor de nossas vidas como lhe apraz. Por outro lado, como o próprio São Luís Maria ensinou, estes sinais exteriores não são essenciais e uma pessoa pode passar bem sem eles, embora se tenha abraçado a esta devoção.

O grande problema é – parafraseando meu amigo Pe. Celso Pôrto Nogueira –  a alma rococódo brasileiro – uma exageração do barroco, desprovida de alma – tão afeiçoado a exterioridades! Quando a corrente se torna um símbolo de ostentação, de superioridade em relação aos demais – que são subcatólicos, pois não vivem a minha radicalidade! – e de confronto proselitista, visando sempre   acentuar a repulsa aos irmãos separados… A corrente perde sua beleza e seu valor é subvertido a um posicionamento que em nada se assemelha ao da Virgem Humilde, Pura, Misericordiosa, Mãe dos Pecadores, Mãe de todos os Cristãos!

“Somos os defensores da Imaculada!”, dizem. Ora, e desde quando a poderosa Rainha das Vitórias, Arca da Nova Aliança e triunfadora do mal precisa ser defendida? Aquela que esmagou a cabeça da serpente, coroada de glória incomensurável, precisa ser defendida de quem? Do que? É ela quem nos defende!

Quando vemos, em encontros e eventos, animadores gritarem ao microfone: “Quem é da Imaculada balança a corrente!” – como se os que não a usassem não fossem da Imaculada – percebemos a desvirtuação do verdadeiro sentido deste sinal.

A corrente é um belíssimo costume: Não é doutrina. Quem é da Imaculada… Mostre sobretudo com a vida!








PROF. FERNANDO NASCIMENTO

Palestras e Ensino:
contato.fernandonascimento@gmail.com








PUBLICIDADE
Privacy Policy
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal