01/02/20 - SÁBADO - Liturgia Diária da Igreja Católica Apostólica Romana

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Papa: a mundanidade, um lento deslizar no pecado
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3ª Semana do Tempo Comum
1º de Fevereiro de 2020 - Cor: Verde




1ª Leitura - 2Sm 12,1-7a.10-17

'Pequei contra o Senhor'.
Leitura do Segundo Livro de Samuel 12,1-7a.10-17
Naqueles dias:
1 O Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse-lhe: 'Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre.
2 O rico possuía ovelhas e bois em grande número.
3 O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha.
4 Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou - se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante'.
5 Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: 'Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte!
6 Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão'.
7a Natã disse a Davi: 'Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel:
10 Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa.
11 Assim diz o Senhor: Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti e tomarei as tuas mulheres, sob os teus olhos, e as darei a um outro, e ele se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol.
12 Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo o Israel e à luz do sol'.
13 Davi disse a Natã; 'Pequei contra o Senhor'. Natã respondeu-lhe: 'De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado. de modo que não morrerás!
14 Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento o filho que te nasceu morrerá'.
15 E Natã voltou para a sua casa. O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi e ele adoeceu gravemente.
16 Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. E, voltando para casa, passou a noite deitado no chão.
17 Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer nem tomar com eles alimento algum.
Palavra do Senhor.




Salmo - Sl 50, 12-13. 14-15. 16-17 (R. 12a)
 
R. Criai em mim um coração que seja puro!
12 Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
13 ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!
R.
 
14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
15 Ensinarei vosso caminho aos pecadores, *
e para vós se voltarão os transviados.
R.
 
16 Da morte como pena, libertai-me, *
e minha língua exaltará vossa justiça!
17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor!
R.




Evangelho - Mc 4,35-41
 
Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem?
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4,35-41
35 Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: 'Vamos para a outra margem!'
36 Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele.
37 Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher.
38 Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: 'Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?'
39 Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: 'Silêncio! Cala-te!' O ventou cessou e houve uma grande calmaria.
40 Então Jesus perguntou aos discípulos: 'Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?'
41 Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: 'Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?'
Palavra da Salvação.





* Em 1° de fevereiro de 1974, o Edifício Joelma, em São Paulo, tornou-se internacionalmente conhecido por conta de um grande incêndio em suas dependências, que resultou em 191 mortos e mais de 300 feridos. Pedimos aos usuários do aplicativo e a todas as pessoas de boa vontade, que rezem pelas almas dos falecidos naquela tragédia.

Fonte: Youtube
Fonte: Rede Século 21
Reflexão - Padre João Luís Fávero - Campinas (SP)

“Criai em mim um coração que seja puro!”.
Mc 4, 35-41

Jesus convida os discípulos para passar para outra margem. É um convite para avançar, caminhar para o futuro. A travessia não é fácil.

A tempestade e as ondas se lançam contra o barco e criaram uma espécie de caos entre os discípulos. Os discípulos começam a perder o controle da situação. E Jesus está “dormindo no barco, sobre um travesseiro”.

Jesus é acordado, Ele se levanta e repreende o mar. O mar é símbolo do medo. Com a sua autoridade, acalma o mar e a tempestade, vence o medo e a dor. Jesus se coloca em ação.

O perigo, representado pela tempestade, e acrescido pela falta de fé do grupo. Eles não têm ainda uma visão clara do poder de Jesus e de sua autoridade.

A vivencia do discipulado cristão acontece em meio a muitos desafios. Pessoas medrosas e inseguras tem dificuldades para abraçar o projeto de Jesus.

Quem escolhe o amor será vítima dos egoístas. Quem está convencido de ser justo acaba ficando na mira dos injustos e desonestos. Quem busca ser verdadeiro enfrenta a mentira e a fraude.

A narração da tempestade no mar revolto, é um sinal da vida cristã. O pequeno barco no meio do mar agitado é sinal da comunidade cristã inserido no mundo.

Jamais faltará tribulações. Mas a certeza de ter consigo a presença de Jesus será sempre o caminho para superar o receio de não ser capaz de perseverar. A tribulação põe a prova, mas a fidelidade do discípulo dá a vitória. Jesus acalma o mar!

Rezemos: Senhor, diante das dificuldades da vida, que eu não esqueça: Jesus acalma o mar! (Podemos cantar: Se as águas do mar da vida, quiserem te afogar. Segura na mão de Deus e vai ...).

Deus abençoe você e sua família.

Pe. João Luiz
Reflexão - Frei Rinaldo Stecanella, osm
Bom dia. Deus abençoe sua vida, sua casa, sua família, seu trabalho...seus afazeres ... nessa nova jornada de Sábado que começa.  Um novo mês se desponta! Vamos acolher Fevereiro com alegria. Afinal, novas oportunidades irão surgir! Vamos superar  as dificuldades, as tribulações, as tempestades...Vamos levantar a cabeça e seguir firmes em nossos propósitos para o dia de hoje. Que este mês de Fevereiro que hoje começa venha repleto de bençãos e paz na vida de todos nós.


Dai-nos, Deus, vosso auxílio na tribulação; *
com Deus nós faremos proezas.
Minha força, é a vós que me dirijo, †
porque sois o meu refúgio e proteção, *
Deus clemente e compassivo, meu amor!
–Deus virá com seu amor ao meu encontro. (Salmo 59)


Com carinho e bençãos
Frei Rinaldo, osm

Destaque do dia

A DEVOÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA


     O Primeiro Sábado de cada Mês.

A devoção ao coração imaculado de Maria é tão antiga como a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Ela surgiu com os membros de várias confrarias do Rosário que tinham o costume de dedicar quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário. Isto mostra quão unido está o Coração Imaculado de MARIA ao Sagrado Coração de JESUS Seu Filho e Nosso Senhor.

Assim os dois Corações são inseparáveis pois onde está Um está também o Outro tornando-se assim a Mãe Co-redentora da Humanidade. Quem não honra a Mãe, despreza Seu Filho JESUS.

Vejamos como DEUS, A Virgem Imaculada, os Anjos, Santos do Céu e a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana através de seus Papas estão intimamente unidos pela salvação da humanidade.



        O HISTÓRICO.

Os quinze sábados em honra de Nossa Senhora do Santíssimo Rosário. "Durante muito tempo, os membros das várias Confrarias do Rosário tiveram o costume de dedicar quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário, antes da Sua festa ou em alguma outra época do ano. Em cada um destes sábados, todos recebiam os sacramentos e realizavam exercícios piedosos em honra dos quinze mistérios do Rosário". Em 1889, o Papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária num destes quinze sábados. Em 1892, "concedeu também, àqueles que estavam legitimamente impedidos ao sábado, a possibilidade de realizar este exercício piedoso no Domingo, sem perder as indulgências".

      Os doze Primeiros Sábados do mês. Com o Papa São Pio X, a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada oficialmente: "Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou no primeiro domingo de doze meses seguidos, dedicarem algum tempo à oração vocal ou mental em honra da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem ganham, em cada um desses dias, uma indulgência plenária. As condições são: confissão, comunhão e oração pelas intenções do Soberano Pontífice".

      A devoção reparadora dos Primeiros Sábados do mês. Por fim, a 13 de Junho de 1912, São Pio X concedeu novas indulgências a práticas que parece anteciparem exatamente os pedidos de Pontevedra: "Para promover a devoção dos fiéis para com a Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, e para fazer reparação pelos ultrajes dos homens ímpios ao Seu Santíssimo Nome e aos Seus privilégios, São Pio X concedeu ao primeiro sábado de cada mês uma indulgência plenária, aplicável às almas do purgatório.

As condições são: confissão, comunhão, oração pelas intenções do Soberano Pontífice e exercícios piedosos com o espírito de reparação, em honra da Virgem Imaculada". Exatamente cinco anos depois deste dia 13 de Junho de 1912, aconteceu em Fátima a grande manifestação do Imaculado Coração de Maria, "cercado de espinhos que O pareciam cravar". A Irmã Lúcia disse depois: "Nós compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que exigia reparação".

      A 13 de Novembro de 1920, o Papa Bento XV concedeu novas indulgências a esta mesma prática, quando realizada no primeiro sábado de oito meses seguidos.

      Uma devoção tradicional ... Que maravilhoso é ver o Céu contente pela coroação dum grande movimento de piedade católica, sem fazer mais nada senão dar precisão às decisões de um Papa, sendo esse Papa São Pio X! Também a Santíssima Virgem tinha vindo a Lourdes, confirmar as declarações infalíveis do Papa Pio IX.

      Ora bem: ao pedir ao Papa a aprovação solene da Devoção de Reparação revelada em Pontevedra, Nossa Senhora não estava realmente a pedir nada impossível. A Providência tinha preparado tudo tão bem que, em 1925-1926, esta devoção concordava perfeitamente com uma série de decisões papais que foram precursoras e que "anunciavam" a devoção do Primeiro Sábado.

      ... Em Fátima, no entanto, uma devoção novíssima ... Apesar do que foi dito, encontramos novos elementos na mensagem de Pontevedra! Em primeiro lugar, a concessão de excessos de generosidade que só o Céu pode ter a liberdade de conceder: no dia 10 de Dezembro, a Virgem Maria já não pede quinze, nem doze, nem sequer oito sábados a Ela dedicados; Ela bem sabe da nossa falta de constância e pede só cinco sábados – tantos como as dezenas do nosso Terço.

      Porém, é sobretudo a promessa unida a esta devoção que aumentou de um modo impressionante. Já não é um caso de indulgências (ou seja, a remissão do castigo por pecados já perdoados); trata-se, antes, de uma graça muito mais notável: a certeza de receber, à hora da morte, "todas as graças necessárias para a salvação". É difícil imaginar uma promessa mais maravilhosa, porque se refere ao êxito ou ao fracasso na "nossa única e mais importante tarefa: a da nossa salvação eterna".



A Revelação do dia 29 de Maio de 1930

      A Irmã Lúcia estava em Tuy - Espanha nessa época. O seu confessor, o Padre Gonçalves, tinha-lhe feito uma série de perguntas por escrito. Lembramos aqui só a quarta: "Porque hão de ser cinco sábados – perguntou ele – e não nove, ou sete em honra das Dores de Nossa Senhora?” Nessa mesma noite, a vidente implorou a Nosso Senhor que a inspirasse com uma resposta a essas perguntas. Poucos dias depois, ela enviou o seguinte ao seu confessor.

      "Ficando na capela, com Nosso Senhor, parte da noite do dia 29 para 30 deste mês de Maio de 1930 (sabemos que era seu costume ter uma hora santa das onze à meia-noite, especialmente às quintas-feiras, segundo os pedidos do Sagrado Coração de Jesus à Santa Margarida Maria Alacoque no mosteiro de Paray-le-Monial a partir de 1673), e falando a Nosso Senhor das duas perguntas, quarta e quinta, senti-me, de repente, possuída mais intimamente da Sua Divina Presença. E, se não me engano, foi-me revelado o seguinte:

      “Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria:
1.      As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2.      As blasfêmias contra a Sua Virgindade;
3.      As blasfêmias contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4.      Os que procuram publicamente infundir, no coração das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;
5.      Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens.
      Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação ...”



A Promessa dos Cinco Primeiros Sábados do Mês

... Disse Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de Junho de 1917.
"A quem abraçar esta devoção, Eu prometo a salvação."

      Que promessa tão admirável e assombrosa aquela que foi feita no dia 13 de Junho de 1917! Mas apesar desta promessa, ficamos ainda tentados a duvidar. Por uma graça especial, a Beata Jacinta sentia o coração consumido por um amor ardente ao Imaculado Coração de Maria. E nós? Ficamos frios, ou o nosso fervor dura muito pouco. Poderíamos alguma vez saber se a nossa devoção é assim tão grande para que Nossa Senhora quisesse manter a Sua promessa para conosco?

        É neste ponto que ficamos assombrados pela ilimitada Misericórdia Divina e pelo caráter profundamente católico das revelações de Fátima. Não há sequer, em toda a mensagem, vestígios do subjetivismo protestante! Aqui, o Céu vai até aos limites da indulgência, e as profecias mais sublimes ("Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração") transformam-se em pedidos muito pequenos, claros e precisos, pedidos fáceis que não dão lugar à dúvida. Todos podem saber se os conseguiram realizar ou não. Uma "pequena devoção", praticada de coração generoso, é suficiente para todos nós recebermos infalivelmente esta graça, ex opere operato – quer dizer, tal como acontece com os sacramentos. E a graça que receberemos é a graça da salvação eterna! Vale a pena estudar cuidadosamente esta promessa tão magnífica. Este é o cumprimento e a expressão perfeita da primeira parte do grande Segredo que, na sua totalidade, se refere à salvação das almas.

        De Fátima - Portugal à Pontevedra - Espanha:

O cumprimento do Segredo. Ao descrever as aparições e ao explicar a mensagem de Pontevedra, falaremos apenas das palavras pronunciadas por Nossa Senhora a 13 de Julho de 1917. São palavras concisas, mas muito ricas em significado:

      "Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas ... virei pedir ... a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados de cada mês."

        Portanto, é este o primeiro "Segredo de Maria" que nós devemos descobrir e entender. É uma forma segura e fácil de arrancar as almas aos perigos do inferno: primeiro, as nossas almas; e também as dos nossos próximos; e até as almas dos maiores pecadores – porque a misericórdia e o poder do Imaculado Coração de Maria não têm limites.

I. Pontevedra: As Aparições e a Mensagem

        Dia 10 de Dezembro de 1925: a Aparição do Menino Jesus e de Nossa Senhora

        Na noite de quinta feira, 10 de Dezembro, logo depois do jantar, a jovem postulante Lúcia, que tinha apenas 18 anos, voltou à sua cela. Foi ali que recebeu a visita de Nossa Senhora e do Menino Jesus. Escutemos a sua narração (escrita no terceira pessoa):

        "A 10 de Dezembro de 1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, a Seu lado, suspenso numa nuvem luminosa, o Menino Jesus. A Santíssima Virgem pousou a mão no ombro de Lúcia e, nesse momento, mostrou-lhe um Coração cercado de espinhos que tinha na outra mão. Ao mesmo tempo, disse o Menino:
‘Tem pena do Coração de tua Mãe Santíssima, que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todo o momento Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar’.

E a Santíssima Virgem disse-lhe:

        ‘Olha, Minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todo o momento Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que a todos aqueles que durante cinco meses seguidos, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação.’
Que cena tão comovente e ao mesmo tempo tão singela, contada com a sobriedade do próprio Evangelho! Que diálogo tão encantador, em que o Menino Jesus e Sua Mãe falam alternadamente — Ele para implorar por causa Dela, e Ela para fazer os seus pedidos... que nos conduzem até Seu Filho.

        Como de costume, a vidente apaga-se a si mesma, e não nos diz uma única palavra sobre os seus próprios sentimentos. Não será este o sinal mais inequívoco de autenticidade, que dá ao seu relato plena vigência? Ela está ali para ver, para ouvir, para contar o que aconteceu, e nada mais.

        No entanto, quanta intimidade percebemos existir entre a Santíssima Virgem e a Sua mensageira! Como Santa Catarina Labouré, ela recebeu nesse dia o privilégio de ser tocada por Nossa Senhora num gesto solene e afetuoso, tal como quando uma mãe quer dar a um filho uma missão confidencial. A Santíssima Virgem pôs a mão sobre o ombro de Lúcia, permitindo-lhe contemplar o tristíssimo Coração de Nossa Senhora e dá-lo a conhecer aos outros.

        Finalmente, vejamos o tom e as palavras desta grande promessa. São semelhantes às das aparições de 1917. Tão concisas! Tal como as do Segredo do dia 13 de Julho, onde nem uma só palavra se pode suprimir sem alterar seriamente a seqüência do pensamento. Também esta é uma mostra irrefutável de autenticidade.


A transmissão da Mensagem

        De que maneira deu Lúcia a conhecer os pedidos do Céu? Sabemos que ela imediatamente contou tudo à sua Superiora, a Madre Magalhães, que se convenceu plenamente da causa de Fátima e tinha agora um respeito sincero pela vidente. Ela própria se mostrou disponível para obedecer aos pedidos do Céu. Lúcia também informou o confessor da Casa, Dom Lino García: "Este último – lembra Lúcia – ordenou-me que escrevesse tudo o que dizia respeito (a esta revelação) e que guardasse esses escritos, que talvez pudessem ser necessários". No entanto, ele continuou à espera ...

        Lúcia escreveu um reconto detalhado do acontecimento em carta para o seu confessor, Monsenhor Pereira Lopes, do Asilo de Vilar. Infelizmente esta carta perdeu-se, e só sabemos da sua existência porque se faz referência a ela numa carta posterior. A 29 de Dezembro, a Madre Magalhães informou o Bispo da Silva acerca do que havia acontecido, mas sem ser muito precisa.

        Por essa altura, Lúcia recebeu finalmente resposta de Monsenhor Pereira Lopes. Ele expressou certas reservas, fez perguntas e aconselhou-a a esperar. Uns dias depois, a 15 de Fevereiro, Lúcia respondeu-lhe, fazendo-lhe uma narração detalhada dos acontecimentos. Felizmente, esta carta importantíssima foi-nos conservada. Vamos seguir passo a passo esse precioso texto, adicionando os nossos próprios subtítulos e comentários.


Uma espera dolorosa

        "Revmo. Senhor Doutor:

        Venho, com todo o respeito, agradecer a amável cartinha que a caridade de Vossa Reverência fez o favor de me escrever.

        Quando a recebi, e vi que ainda não podia atender aos desejos de Nossa Senhora, senti-me um pouco triste. Mas logo refleti que os desejos de Nossa Senhora eram que eu obedecesse às ordens de Vossa Reverência.

        Fiquei tranqüila e, no dia seguinte, quando recebi a Jesus Sacramentado, li-Lhe a carta e disse: ‘Ó meu Jesus! Eu, com a Vossa graça, a oração, a mortificação e a confiança, farei tudo quanto a Obediência me permitir e Vós me inspirardes; e o resto fazei-o Vós.’

        Assim fiquei até ao dia 15 de Fevereiro. Esses dias foram duma contínua mortificação interior. Pensava se teria sido um sonho, mas sabia que não; sabia que tinha sido realidade. Mas se eu tinha correspondido tão mal às graças recebidas até ali, como é que Nosso Senhor Se dignava aparecer-me outra vez?

        Chegava-se o dia de me ir confessar, e não tinha licença de dizer nada! Podia dizê-lo à Madre Superiora, mas durante o dia as minhas ocupações não mo permitiam! À noite, estava com dores de cabeça! E eu, temendo faltar à caridade, pensava: ‘Fica para amanhã! Ofereço-Vos este sacrifício, minha querida Mãe!’ E assim se passaram, um atrás do outro, todos os dias até hoje.

        No dia 15, andava eu muito ocupada com o meu trabalho, e quase nem disso me lembrava. E indo eu despejar um caixote do lixo fora do quintal ..."

História de um prelúdio encantador (Novembro ou Dezembro de 1925)

        "(No mesmo lugar) onde, alguns meses antes, tinha encontrado um menino a quem tinha perguntado se sabia a Ave-Maria, e, respondendo-me que sim, lhe mandei que a dissesse para eu ouvir. Mas como se não resolvia a dizê-la sozinho, disse-a eu com ele, três vezes. Ao fim das três Ave-Marias, pedi-lhe que a dissesse sozinho. Mas como se calou e não foi capaz de dizer a Ave-Maria sozinho, perguntei-lhe se sabia onde era a igreja de Santa Maria. Respondeu-me que sim. Disse-lhe que fosse lá todos os dias, e que dissesse assim: ‘Ó minha Mãe do Céu, dai-me o Vosso Menino Jesus!’ Ensinei-lhe isto, e vim-me embora."

        Aqui, em virtude dos acontecimentos, Lúcia vê-se obrigada a falar um pouco de si própria, e as suas poucas confidências revelam-nos algo da sua alma maravilhosa. Perto da porta do jardim, ela encontra um menino. Lembra-se de lhe falar da Virgem Maria, para lhe ensinar a rezar. Depois pede-lhe para rezar a Ave-Maria... só pela alegria de a ouvir na sua voz. Como ele não conseguiu dizê-la sozinho, Lúcia recita-a com ele três vezes, de acordo com a prática antiga das três Ave-Marias em honra de Nossa Senhora.

        Como o menino parecia não querer recitar a Ave-Maria sozinho, a nossa catequista – que não queria perder esta oportunidade de cumprir a sua missão de fazer conhecer e amar Nossa Senhora – sugeriu outra idéia: convidou-o a ir todos os dias à igreja de Santa Maria. De fato, a Basílica de Santa Maria Maior fica bastante perto da Casa das Irmãs Dorotéias. Foi este acontecimento um pouco antes ou depois da aparição do Menino Jesus, no dia 10 de Dezembro? Não o sabemos. Em todo o caso, a jovem postulante ensinou ao menino esta linda e breve oração, que certamente era dela também: a sua oração mais freqüente e fervorosa do Advento de 1925. "Ó Mãe do Céu, dai-me o Vosso Menino Jesus". E depois foi-se embora.


FONTE:  DERRADEIRAS GRAÇAS (www.derradeirasgracas.com)



- DEDICADO À VIRGEM MARIA -
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