02/02/20 - DOMINGO - Liturgia Diária da Igreja Católica Apostólica Romana

"Fiat Voluntas Tua"
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Apresentação do Senhor . Festa
2 de Fevereiro de 2020 - Cor: Branco




1ª Leitura - Ml 3,1-4

O Senhor a quem buscais, virá ao seu Templo.
Leitura da Profecia de Malaquias 3,1-4
Assim diz o Senhor:
1 Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos;
2 e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros;
3 e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor.
4 Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos.
Palavra do Senhor.




Salmo - Sl 23(24),7.8.9.10 (R. 10b)
 
R."O Rei da glória é o Senhor onipotente!
7 "Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!"
R.
 
8 Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"É o Senhor, o valoroso, o onipotente, *
o Senhor, o poderoso nas batalhas!"
R.
 
9 "Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!"
R.
 
10 Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"O Rei da glória é o Senhor onipotente, *
o Rei da glória é o Senhor Deus do universo
R.




2ª Leitura - Hb 2,14-18
 
Jesus devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos.

Leitura da Carta aos Hebreus 2,14-18
14 Visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Jesus participou da mesma condição, para assim destruir, com a sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo,
15 e libertar os que, por medo da morte, estavam a vida toda sujeitos à escravidão.
16 Pois, afinal, não veio ocupar-se com os anjos, mas com a descendência de Abraão.
17 Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo.
18 Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação.
Palavra do Senhor.




Evangelho - Lc 2,22-40
 
Meus olhos viram a tua salvação.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,22-40
22 Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor.
23 Conforme está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor."
24 Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na Lei do Senhor.
25 Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele
26 e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
27 Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava,
28 Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus:
29 "Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz;
30 porque meus olhos viram a tua salvação,
31 que preparaste diante de todos os povos:
32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel."
33 O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.
34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: "Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição.
35 Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma."
36 Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.
37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações.
38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade.
40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
Palavra da Salvação.




Liturgia Diária




Apresentação do Senhor . Festa

2 de Fevereiro de 2020 - Cor: Branco




 

1ª Leitura - Ml 3,1-4

 

O Senhor a quem buscais, virá ao seu Templo.

Leitura da Profecia de Malaquias 3,1-4

Assim diz o Senhor:

1 Eis que envio meu anjo, e ele há de preparar o caminho para mim; logo chegará ao seu templo o Dominador, que tentais encontrar, e o anjo da aliança, que desejais. Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos;

2 e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada? E quem poderá resistir-lhe, quando ele aparecer? Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; 

3 e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor. 

4 Será então aceitável ao Senhor a oblação de Judá e de Jerusalém, como nos primeiros tempos e nos anos antigos. 

Palavra do Senhor.




 

Salmo - Sl 23(24),7.8.9.10 (R. 10b)

 

R."O Rei da glória é o Senhor onipotente!

7 "Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!" 
R.

 

8 Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"É o Senhor, o valoroso, o onipotente, *
o Senhor, o poderoso nas batalhas!" 
R.

 

9 "Ó portas, levantai vossos frontões! +
Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, *
a fim de que o Rei da glória possa entrar!" 
R.

 

10 Dizei-nos: "Quem é este Rei da glória?" +
"O Rei da glória é o Senhor onipotente, *
o Rei da glória é o Senhor Deus do universo 
R.




 

2ª Leitura - Hb 2,14-18

 

Jesus devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos.

Leitura da Carta aos Hebreus 2,14-18

14 Visto que os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Jesus participou da mesma condição, para assim destruir, com a sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, 

15 e libertar os que, por medo da morte, estavam a vida toda sujeitos à escravidão. 

16 Pois, afinal, não veio ocupar-se com os anjos, mas com a descendência de Abraão. 

17 Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo. 

18 Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação. 

Palavra do Senhor.




 

Evangelho - Lc 2,22-40

 

Meus olhos viram a tua salvação.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,22-40

22 Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. 

23 Conforme está escrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor."

24 Foram também oferecer o sacrifício - um par de rolas ou dois pombinhos - como está ordenado na Lei do Senhor. 

25 Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele 

26 e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor. 

27 Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, 

28 Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: 

29 "Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; 

30 porque meus olhos viram a tua salvação, 

31 que preparaste diante de todos os povos: 

32 luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel." 

33 O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. 

34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: "Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. 

35 Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma." 

36 Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido.

37 Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 

38 Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 

39 Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 

40 O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

Palavra da Salvação.





 
D.Pedro Carlos Cipolini
Fonte: Youtube Rede Século 21
PADRE PAULO RICARDO
Fonte: Youtube
Reflexão - Padre João Luís Fávero - Campinas (SP)

“O Rei da gloria é o Senhor onipotente!”.
Lc 2, 22-40

Quarenta dias após o nascimento, Jesus é apresentado e consagrado ao Senhor no Templo, conforme previa a Lei de Moisés. Segundo essa Lei, todo o primogênito masculino, devia ser levado ao Templo e oferecido ao Senhor e, ao mesmo tempo, fazer a purificação da mãe.

Os pais depois da consagração, resgatavam o filho, mediante uma oferta. A oferta apresentada pelos pais de Jesus foi um par de pombinhos, uma oferta de pobres.

Ao mesmo tempo que os pais de Jesus o apresentam o menino, Ele é, nas figuras de Simeão e Ana (figuras que carregam a esperança do povo fiel do Antigo Testamento que esperam a chegada do Messias), apresentado a humanidade.

A Festa da Apresentação do Senhor teve início no Oriente e depois se estendeu para o Ocidente e tomou o nome de “Festa das Luzes”.  Nesta Festa lembra-se das palavras de Simeão que o Messias é a “luz para iluminar as nações”. Essa referência à luz fez surgir na Igreja o costume de benzer as velas. Por isso, a festa hoje é conhecida também como a “candelária” (candela (Latim) = vela).

A vela acesa representa o “Menino Luz” que ilumina homens e mulheres de boa vontade. A vela que cada um acende simboliza que nos comprometemos com o projeto de Jesus e, ao mesmo tempo, nos tornamos luzes no mundo: somos luzes na vida de nossos irmãos.

Vamos iluminar o mundo. Cada gesto de bondade que realizamos é sempre capaz de acender a esperança de que podemos vencer as trevas da maldade e do egoísmo. Por isso, vamos ser luz na vida das pessoas, vamos iluminar o mundo.

Rezemos: Senhor, quero fazer brilhar a minha fé no testemunho do amor. Para que vendo a luz na minha vida, glorifiquem o Pai que está nos céus.

Deus abençoe você e sua família.

Pe. João Luiz
Reflexão - Frei Rinaldo Stecanella, osm
Bom dia. Deus abençoe você com toda sorte de bençãos físicas e espirituais. Chegamos a mais um final de semana. Que este domingo seja muito especial. Hoje é o dia da Apresentação do Senhor. Um dia teremos que nos apresentar diante de Deus. Apresente sua família a Deus para que seja abençoada. Que a luz da misericórdia esteja com você e em cada passo que der durante toda essa jornada.
Domingo é dia do SENHOR...Como você quer um dia estar diante do Senhor ou que seus filhos estejam NO CÉU...se você não fizer o esforço de estar diante DELE ou levar sua família até ELE aqui na Terra? Pense nisso!! Um santo e abençoado domingo!


Consagre ao Senhor
tudo o que você faz,
e os seus planos serão bem-sucedidos.  
Provérbios 16:3

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Com carinho e bençãos
Frei Rinaldo, osm
Destaque do dia

"Meus olhos já viram..."

“…porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos” (Lc 2,30)

O texto de Lucas se transforma na história de uma espera e de um encontro surpreendente.

Esse suspiro de expectativa e de esperança não fica sem resposta. Toda a narrativa lucana é invadida por uma atmosfera festiva, litúrgica, musical: o menino Jesus é ofertado a Deus no Templo. Simeão é um homem justo e temente a Deus, que espera a consolação de Israel, que não teme e morte, porque sabe que ela será precedida pela grande surpresa, o encontro com o Messias do Senhor. O Espírito age em todos os justos, movendo-os e consolando-os; Simeão bendiz a Deus cantando um hino de paz, de luz e de alegria; o pai e a mãe do menino são tomados de espanto, e testemunham um mistério glorioso e tremendo; há também Ana que diante da criança explode em louvores a Deus.
A vinda do Cristo é, portanto, o grande evento que agita os corações: aterrorizou Herodes e, com ele, toda Jerusalém, mas fez exultar o coração dos justos. Simeão, como Ana, pertencem ao povo dos “Anawim”, os “pobres de Javé”, pois é descrito como “justo e piedoso”. Sua característica fundamental é a fé profunda, a confiança total em Deus. Simeão toma o menino Jesus entre os braços. A arte dos ícones vai representá-lo como o Theodochos, “aquele que acolhe Deus”. Homem “pobre”, homem da espera, homem do Espírito: por essas qualidades Simeão é também profeta, no sentido bíblico de conhecedor do mistério de Deus e revelador da sua Palavra.
Simeão é um homem bom do povo que guarda em seu coração a esperança de um dia ver “o consolo” de que tanto precisam. Ele é também o homem da espera, um pouco como todos os personagens do Evan-gelho da infância. Ele recolhe em si a longa expectativa da esperança messiânica. Ele não é prisioneiro da “cotidianidade”: mantém o olhar fixo no horizonte, para a consolação, para a revelação da glória. Se o presente é sem sol, ele está seguro da aurora. Deus quebrará seu silêncio, a noite escura será iluminada, a primavera substituirá o inverno. Ainda que “avançado em anos”, nele ainda não se apagou a chama da esperança e da juventude  de espírito.
Simeão guarda em si o fogo do Espírito Santo, que o mantém sempre vivo, forte, aberto ao futuro. Ele não olha para o passado; vê longe e sonha grande, sonha com a  salvação de todas as nações. Seu olhar é limpo, diáfano, que desarma, que não esconde engano ou segundas intenções; olhar admirado e gratuito que transforma, que liberta e que se comove diante da realidade, especialmente a realidade humana de uma criança.
O olhar de Simeão nasce da camada mais profunda e secreta do seu ser, onde a vida se torna vida que sente, vida que acolhe toda a realidade e traduz as ressonâncias em estados de espírito. Esse é o seu modo habitual de olhar que é, ao mesmo tempo, o seu modo habitual de sentir; um olhar afetuoso, que não intimida e não se sente intimidado, um olhar desarmado, acolhedor, estimulante...
Em um gesto atrevido e paternal, “toma o menino em seus braços” com grande amor e carinho. No entanto, este menino que tem em seus braços será uma “bandeira discutida”: sua presença será rejeitada e ocasião de conflitos e enfrentamentos; ele desvelará o que há no mais profundo das pessoas.  Uns o acolherão e sua vida adquirirá uma dignidade nova: sua existência se encherá de luz e de esperança. Outros o rejeitarão e sua vida terminará na ruína.  A acolhida deste menino pede uma mudança profunda. Jesus não vem trazer tranquilidade, mas gerar um processo doloroso e conflitivo de conversão radical. Quanto mais nos aproximamos de Jesus, melhor veremos nossas incoerências e desvios, o que há de verdade ou de mentira em nossas vidas, o que há de fechamento e resistência em nossos corações e em nossas instituições.
Podemos pensar também no simbolismo do sentinela: como o guarda noturno espera ansioso que chegue outro para substituí-lo, assim Simeão espreita a aurora, porque sua vigília está terminando, e então poderá descansar no Senhor, adentrando em seu Reino. O cântico de Simeão, porém, não é uma despedida melancólica, porque sua missão foi cumprida. É, antes, uma saudação festiva à Palavra de Deus que agora se realiza, é uma oração de serena e alegre entrega, de suave abandono, de confiança, pronunciado por um homem que pressente o fim, mas um fim cheio de luz e, portanto, não assustador. Seus sentimentos são os mesmos da bem-aventurança de Lucas: “Felizes os olhos que vêem o que vós vedes” (10,23) Um canto de fé e de esperança segura, não um sonho melancólico. Esse é o sentido da existência cristã.
O perfil de Ana é também todo luminoso e alegre. Como Miriam, irmã de Moisés, como Débora, como a mulher de Isaías, ela também é profetisa, está atenta aos sinais da história, e a este sinal decisivo que é Cristo. Porque está aberta ao Espírito, não permanece espectadora e passiva. Ana é o retrato da velhice feliz, abençoada por Deus, no estilo das narrações patriarcais, segundo as quais a velhice veneranda é sinal de justiça e de recompensa divina. Ana, portanto, é modelo de velhice alegre e pacífica, uma velhice ativa e cheia de esperanças. Seus 84 anos não são um tempo que fugiu, que escapou das mãos como a areia, deixando-as vazias. Para ela não existem apenas recordações. Lucas a descreve como a mulher de oração, uma “pobre do Senhor”. O Salmo do ancião canta (Sl. 92,12-16):
“O justo floresce como a palmeira, cresce como o cedro do Líbano. Quem está arraigado na casa do Senhor, floresce nos átrios de nosso Deus; ainda dará fruto na velhice, con-servando toda a exuberância e frescor, para proclamar que o  Senhor é justo...”
Pertencemos a uma geração devorada pelo imediatismo e pela rapidez, com enorme dificuldade para acolher processos de longa duração: navegamos na Internet, viajamos em carros supervelozes, cozinhamos em micro-ondas, consumimos “fast-foods”...
O problema é quando aplicamos estes mesmos ritmos às relações humanas; no entanto, nem uma amizade, nem uma família, nem uma comunidade se forjam com essa medida ultrarrápida do tempo, senão que necessitam de processos lentos de crescimento, difíceis de serem aceitos.
Ana, a profetisa, nos oferece a sabedoria do saber esperar; o Evangelho de hoje nos apresenta esta anciã, durante toda sua vida, esperando a chegada do Messias e celebrando o fato de ter podido encontrá-lo em seus últimos dias de vida. A imagem que dela nos dá Lucas é que foi recompensada por ter passado a vida inteira à espera e que agora sua alegria se transborda em louvor e agradecimento.
Texto bíblico:  Lc 2,22-40
Na oração:  S. Inácio, nos Exercícios Espirituais, recomenda que o exercitante eleve o pensamento para o alto, considerando como Deus nosso Senhor o olha. Talvez seja este o momento de maior recolhimento e elevação da oração, quando ele se torna diálogo silencioso de olhares, como acontece entre duas pessoas que se amam.
Deveríamos nos situar diante de Deus desse modo com mais freqüência, deixando os olhos, os d’Ele e os nossos, se falarem silenciosamente. Em momentos de aridez do coração e de resistência interior, o olhar é tudo o que resta para rezar.

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Coordenador do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI
FONTE: CENTRO LOYOLA





As credenciais de Jesus e de seus seguidores


“Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito...” (Lc 4,14)

Depois do prólogo, saltando os relatos da infância, do batismo e das tentações, o texto evangélico que a liturgia nos propõe para este domingo nos situa no começo da chamada “atividade pública” de Jesus, com a proclamação daquilo que constitui seu “discurso programático”. Lucas quer apresentar  Jesus como o “Ungido” de Deus, cuja missão consiste em ser “boa notícia” para todos.
Antes de começar a narrar o ministério público de Jesus, Lucas quer deixar muito claro a seus leitores qual é a paixão que impulsiona o Profeta da Galileia e qual é a meta de toda sua atuação. Os cristãos deverão  saber em que direção o Espírito de Deus move a Jesus, pois segui-lo é precisamente caminhar com Ele  na mesma direção.
Em Lc 4,14 começa propriamente a vida pública de Jesus com este relato da pregação na sinagoga de seu povoado, depois de uma breve introdução geral na qual fala de seus ensinamentos nas sinagogas da Galileia. Ao aplicar-se a si mesmo o texto de Isaías, Jesus está declarando sua condição de “Ungido”. Ele voltou à Galileia conduzido pelo Espírito. Aqui está a chave. Só o Espírito pode nos capacitar para cumprir a missão que temos como seres humanos. Tanto no AT como no NT, ungir era capacitar alguém para uma missão. Paulo nos diz isso com uma claridade meridiana: se todos bebemos de um mesmo Espírito, seremos capazes de superar o individualismo, e entraremos na dinâmica de pertença a um mesmo corpo.
A primeira coisa que chama a atenção é a apresentação que Lucas faz de Jesus como alguém que é movido “pela força do Espírito”. Nem sempre somos conscientes das “forças” que nos movem em nosso viver cotidiano, tampouco das motivações reais que nos impulsionam a tomar certas decisões. Dois dinamismos atuam em nosso interior: um, de impulso para algo maior, para o serviço, para ser presença inspiradora; outro, de atrofia, de acomodação e medo. Qual das duas “forças” alimentamos em nosso interior? Jesus chamava a atenção pela claridade de suas motivações e a coerência com as mesmas: é o homem íntegro e fiel, lúcido e transparente. Deixa-se conduzir pelo Espírito no mais profundo de si mesmo; deixa que Deus viva nele; deixa Deus ser Deus nele.
Lucas descreve com todo detalhe o que faz Jesus na sinagoga de seu povo: põe-se de pé, recebe o livro sagrado, busca uma passagem de Isaías, lê o texto, fecha o livro, o devolve e se senta. Todos hão de escutar com atenção as palavras escolhidas por Jesus pois elas explicitam a missão à qual Ele se sente enviado por Deus. Ele começa a gritar uma mensagem nova e diferente, surpreendente e provocativa.
Estas são as credenciais de Jesus, aquelas que identificam sua personalidade e sua missão. E serão também estas as credenciais que nos identificam como seus seguidores. Surpreendentemente, o texto não fala de organizar uma religião mais perfeita, de implantar um culto mais digno ou de apresentar novas leis, mas de comunicar libertação, esperança, luz e graça aos mais pobres e excluídos. É curioso que os traços distintivos de sua missão não fazem referência à sua relação com Deus; todos fazem referência à relação com as pessoas mais necessitadas e marginalizadas: os pobres, os cativos, os cegos.
Sua única preocupação é a missão de “anunciar o Evangelho”. Jesus não veio anunciar desgraças, castigos, nem impor medo através de uma religião moralista e legalista. Jesus veio anunciar “boas notícias”: uma vida digna e de esperança aos pobres; a liberdade àqueles que carecem dela; a vista àqueles que não podem ver. Jesus não faz proselitismo e nem nos convoca para seguir uma determinada religião, uma doutrina... mas para sermos presenças humanizadoras e libertadoras.
A missão de Jesus é a de aliviar o sofrimento humano; o sofrimento dos inocentes é a primeira preocupação d’Ele: não suportava ver as pessoas sendo exploradas e marginalizadas; não aguentava a dor dos outros, porque sua sensibilidade não tolerava isso. Jesus “desce” em direção a tudo o que desumaniza as pessoas: os traumas, as experiências de rejeição e exclusão, as feridas existenciais, a falta de perspectiva frente ao futuro, o peso do legalismo e moralismo, a força de uma religião que oprime e reforça os sentimentos de culpa, as instituições que atrofiam o desejo de viver...
Enfim, tudo aquilo que prejudica as pessoas, provoca miséria, tira a dignidade do homem  e da mulher. Lucas destaca que “todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n’Ele”.
E ao “fixar os olhos n’Ele” os ouvintes são movidos a ampliar o olhar e voltar-se para aqueles que são vítimas do sistema social e religioso de seu tempo. As pessoas percebem n’Ele um novo Mestre, cujo ensinamento desperta o assombro e a admiração.
Vamos, na oração, considerar algumas expressões do Evangelho de Lucas e que revelam a essência de uma vida que se deixa impactar pelo modo de ser e viver de Jesus:
- “Ungidos pelo Espírito”:  todos somos marcados, assinalados pela unção no Espírito. Carregamos a “marca” do Espírito: Espírito que não está sobre nós, mas dentro de cada um de nós; Espírito que nos habita e que nos conduz para fora de nós mesmos, em direção ao compromisso com os outros.

- “Enviados para anunciar o Evangelho”, ou seja, ser boa notícia para os outros através de nossa presença alegre e solidária. Não somos enviados para anunciar más notícias e desgraças, nem para alimentar culpabilidades nos outros, impondo falsos moralismos e legalismos que bloqueiam a vida das pessoas.

Somos enviados a anunciar aos tristes a alegria de Deus, aos pobres a esperança de um mundo mais humano, justo e fraterno, aos excluídos o amor de Deus, aos que nada contam aos olhos dos homens que eles são importantes para Deus.

- “Enviados a anunciar a liberdade aos oprimidos”: anunciar que Deus nos quer a todos livres; ser presença libertadora de tudo o que desumaniza o ser humano: pobreza e miséria, ignorância e violência, opressão religiosa, preconceitos, exploração...

- “Enviados a ativar a visão aos cegos” para que vejam as maravilhas que acontecem ao seu redor, para ver o rosto de Deus no rosto de cada irmão, para encantar-se com a beleza e grandeza da Criação, para contemplar a presença do Criador em tudo e em todos...

- “Enviados a proclamar o ano da Graça do Senhor”: a plenitude humana que Jesus começou a realizar se expressa como festa jubilar: ano de graça, tempo de júbilo que, conforme à tradição de Israel, se torna celebração de fraternidade, perdão das dívidas, libertação dos escravos, partilha das terras...

Neste “Ano jubilar da Misericórdia” somos convocados a ser presença reconciliadora em meio aos conflitos, a indicar para os desanimados a esperança da salvação, a viver como filhos de Deus e como irmãos, a viver a presença de Deus neles...
Texto bíblico:  Lc 1,1-4; 4,14-21
Na oração: “Hoje se cumpre essa escritura em ti”. Esse mesmo Espírito que atuou em Jesus, está atuando sempre em ti. Deus dá o Espírito sem medida. Se não descobres e não experimentas isto, nenhuma vida espiritual será possível. O Espírito te levará ao amor. O amor se manifestará em atitudes, que sempre beneficiarão os outros. A força do ego nos separa. A força do Espírito nos identifica. Conecta com essa energia divina que já está em ti, e a espiritualidade será o que há de mais espontâneo e natural de tua vida.
Pe. Adroaldo Palaoro sj
Fonte: Centro Loyola



- DEDICADO À VIRGEM MARIA -
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