27/03/20 - SEXTA-FEIRA - Liturgia Diária da Igreja Católica Apostólica Romana

"Fiat Voluntas Tua"
Ir para o conteúdo
MISSAL > LITURGIA DO DIA
ASSISTA AO VIVO
BÊNÇÃO DO PAPA ÀS 14H00
VATICAN NEWS
Pesquisa rápida
Liturgia Diária
Antífona de Entrada
Salvai-me, ó Deus, por vosso nome, libertai-me por vosso poder. Deus, ouvi a minha oração, escutai as palavras que vos digo (Sl 53,3s).




Oração do dia
Ó Deus, que preparastes para a nossa fraqueza os auxílios necessários à nossa renovação, dai-nos recebê-los com alegria e vê-los frutificar em nossa vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.




1ª Leitura – Sb 2,1a.12-22

Vamos condená-lo à morte vergonhosa.

Leitura do Livro da Sabedoria 2,1a.12-22
1a Dizem entre si, os ímpios, em seus falsos raciocínios:
12 Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina.
13 Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’.
14 Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável;
15 sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis.
16 Somos comparados por ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai.
17 Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele.
18 Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos.
19 Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência;
20 vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro’.
21 Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos,
22 não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras.
Palavra do Senhor.




Salmo – Sl 33, 17-18. 19-20. 2l.23 (R. 19a)

R. Do coração atribulado está perto o Senhor.

17 O Senhor volta a sua face contra os maus, *
para da terra apagar sua lembrança.
18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta *
e de todas as angústias os liberta.
R.


19 Do coração atribulado ele está perto *
e conforta os de espírito abatido.
20 Muitos males se abatem sobre os justos, *
mas o Senhor de todos eles os liberta.
R.


21 Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, *
e nenhum deles haverá de se quebrar.
23 Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, *
e castigado não será quem nele espera.
R.





Evangelho – Jo 7,1-2.10.25-30

Queriam prendê-lo, mas ainda não tinha chegado a sua hora.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 7,1-2.10.25-30
Naquele tempo:
1 Jesus andava percorrendo a Galiléia.  Evitava andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo.
2 Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas.
10 Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas.
25 Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: ‘Não é este a quem procuram matar?
26 Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias?
27 Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é.’
28 Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: ‘Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis,
29 mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou.’
30 Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.
Palavra da Salvação.




Antífona da Comunhão
Temos a redenção em Cristo pelo seu sangue e, pela riqueza de sua graça, o perdão dos pecados (Ef 1,7).




Depois da Comunhão
Senhor Deus, tendo já passado da antiga para a nova criação, despojemo-nos agora do homem velho, renovando-nos para santidade do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.



Reflexão - Padre João Luís Fávero - Campinas (SP)

“Do coração atribulado está perto o Senhor”.
Jo 7, 1-2.10.25-30

O Evangelho de hoje mostra a tensão crescente entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas, Jesus não recua. No prólogo do seu Evangelho, João garante: “Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam”. Uns vem de longe para escutá-lo; outros fecham seus ouvidos à verdade.

Por saber que corria sério perigo de morte, Jesus evita circular pela Judeia. Mesmo quando vai a Jerusalém para a festa das Tendas, Ele o faz ocultamente, não afronta diretamente seus inimigos. Não procura o martírio gratuitamente, sua hora ainda não havia chegado.

Entretanto, longe de se omitir ou calar, ele é visto falando abertamente. Aliás, falava bem alto ao ensinar no Templo. Permanece fiel à sua missão de ensinar a verdade.

As autoridades, bem ciosas de seu espaço e de seu poder, tomam essa atitude de Jesus como provocação. Por sua vez, a qualquer momento Jesus poderia ser vítima da fúria de seus adversários. Eles tramam para eliminá-lo e, de fato, conseguirão condená-lo à morte de cruz.

Estes ao invés de se converterem ao Deus de Jesus, escolhem eliminar o Jesus de Deus, o Filho amado, que eles não souberam reconhecer. E enquanto não chega a sua hora, a hora da sua paixão e morte, Jesus segue testemunhando, diante de todos, que Ele vem de junto do Pai e é fiel a missão recebida.

E a cada um de nós é dada a possibilidade de escolher: a salvação ou a ruína.

Rezemos: Senhor, quero sempre de novo, escolher seguir Jesus e manter a fidelidade na missão. Não quero ceder, mesmo diante das perseguições.

Deus abençoe você e sua família.

Pe. João Luiz
FOTO: MONSENHOR JOÃO LUÍS FÁVERO
Reflexão - Frei Rinaldo Stecanella, osm
Bom dia. Deus seja louvado por este momento. Estamos vivos! É dom do céu! É dádiva de Deus. Agradeça!!! Viver é bom demais! Deus pensou em tantas coisas boas para você no dia de hoje! Tente prestar atenção! Ele se comunica através da Natureza, das pessoas, dos fatos...de sua Palavra! Fique atento! Tudo é muito sutil! Não perca tempo com coisas e situações inúteis. Elas atrasam a vida! Viva o hoje com mais intensidade! Supere o dia de ontem! Prepare o amanhã! Nossas escolhas determinarão os passos seguintes...e o retorno disso é inevitável. Escolha o certo, invista no que você espera receber! Simplesmente VIVA!!!

O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre. (Sl 121, 7-8)

Com carinho e bençãos
Frei Rinaldo, osm
FOTO: FREI RINALDO STECANELA
HOMILIA DO SANTO PADRE
Adoração do Santíssimo
e Bêncão Urbi et Orbi

(«Sagrado» da Basílica de S. Pedro, 27 de março de 2020)

«Ao entardecer…» (Mc 4, 35): assim começa o Evangelho, que ouvimos. Desde há semanas que parece o entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares. Revemo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos. Tal como os discípulos que, falando a uma só voz, dizem angustiados «vamos perecer» (cf. 4, 38), assim também nós nos apercebemos de que não podemos continuar estrada cada qual por conta própria, mas só o conseguiremos juntos.

Rever-nos nesta narrativa, é fácil; difícil é entender o comportamento de Jesus. Enquanto os discípulos naturalmente se sentem alarmados e desesperados, Ele está na popa, na parte do barco que se afunda primeiro... E que faz? Não obstante a tempestade, dorme tranquilamente, confiado no Pai (é a única vez no Evangelho que vemos Jesus a dormir). Acordam-No; mas, depois de acalmar o vento e as águas, Ele volta-Se para os discípulos em tom de censura: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (4, 40).

Procuremos compreender. Em que consiste esta falta de fé dos discípulos, que se contrapõe à confiança de Jesus? Não é que deixaram de crer N’Ele, pois invocam-No; mas vejamos como O invocam: «Mestre, não Te importas que pereçamos?» (4, 38) Não Te importas: pensam que Jesus Se tenha desinteressado deles, não cuide deles. Entre nós, nas nossas famílias, uma das coisas que mais dói é ouvirmos dizer: «Não te importas de mim». É uma frase que fere e desencadeia turbulência no coração. Terá abalado também Jesus, pois não há ninguém que se importe mais de nós do que Ele. De facto, uma vez invocado, salva os seus discípulos desalentados.

A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade. A tempestade põe a descoberto todos os propósitos de «empacotar» e esquecer o que alimentou a alma dos nossos povos; todas as tentativas de anestesiar com hábitos aparentemente «salvadores», incapazes de fazer apelo às nossas raízes e evocar a memória dos nossos idosos, privando-nos assim da imunidade necessária para enfrentar as adversidades.

Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Nesta tarde, Senhor, a tua Palavra atinge e toca-nos a todos. Neste nosso mundo, que Tu amas mais do que nós, avançamos a toda velocidade, sentindo-nos em tudo fortes e capazes. Na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nós, sentindo-nos em mar agitado, imploramos-Te: «Acorda, Senhor!»

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti. Nesta Quaresma, ressoa o teu apelo urgente: «Convertei-vos…». «Convertei-Vos a Mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros. E podemos ver tantos companheiros de viagem exemplares, que, no medo, reagiram oferecendo a própria vida. É a força operante do Espírito derramada e plasmada em entregas corajosas e generosas. É a vida do Espírito, capaz de resgatar, valorizar e mostrar como as nossas vidas são tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do último espetáculo, mas que hoje estão, sem dúvida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa história: médicos, enfermeiros e enfermeiras, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho. Perante o sofrimento, onde se mede o verdadeiro desenvolvimento dos nossos povos, descobrimos e experimentamos a oração sacerdotal de Jesus: «Que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Quantas pessoas dia a dia exercitam a paciência e infundem esperança, tendo a peito não semear pânico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, mães, avôs e avós, professores mostram às nossas crianças, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando hábitos, levantando o olhar e estimulando a oração! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos! A oração e o serviço silencioso: são as nossas armas vencedoras.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.

O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança.

Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de omnipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar. Significa encontrar a coragem de abrir espaços onde todos possam sentir-se chamados e permitir novas formas de hospitalidade, de fraternidade e de solidariedade. Na sua cruz, fomos salvos para acolher a esperança e deixar que seja ela a fortalecer e sustentar todas as medidas e estradas que nos possam ajudar a salvaguardar-nos e a salvaguardar. Abraçar o Senhor, para abraçar a esperança. Aqui está a força da fé, que liberta do medo e dá esperança.

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Queridos irmãos e irmãs, deste lugar que atesta a fé rochosa de Pedro, gostaria nesta tarde de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, saúde do seu povo, estrela do mar em tempestade. Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações! Pedes-nos para não ter medo; a nossa fé, porém, é fraca e sentimo-nos temerosos. Mas Tu, Senhor, não nos deixes à mercê da tempestade. Continua a repetir-nos: «Não tenhais medo!» (Mt 14, 27). E nós, juntamente com Pedro, «confiamos-Te todas as nossas preocupações, porque Tu tens cuidado de nós» (cf. 1 Ped 5, 7).

FEVEREIRO
D
S
T
Q
Q
S
S






1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
- DEDICADO À VIRGEM MARIA -
Voltar para o conteúdo